A verdade construída


Ao buscar respostas para as complexas questões da vida a Doutrina Espírita não abre mão de nenhum dos grandes segmentos do conhecimento humano, valendo-se assim da Ciência, da Filosofia e da Religião.
Atitude filosófica é questionamento, e uma postura científica prevê também constante questionamento.
O que dá força, fluidez, agilidade e eterna juventude à ciência é exatamente a constante reavaliação sobre o que ela mesma afirma.
Com filósofos não é muito diferente e nenhum deles está disposto a aceitar uma suposta “verdade” sob o argumento da autoridade ou outro qualquer, sem questionar.
Um dos aspectos mais fortes de distinção da religião espírita em relação a outras é, sem sombra de dúvida, o conceito de verdade construída.
Não há dogmas, e onde eles não existem há espaço para a inteligência.
Ao valer-se da Ciência a Doutrina dos Espíritos ganha a mesma agilidade e juventude deste segmento da experiência humana.
Sem incorrer no erro do relativismo exacerbado em que nada se sabe, o espírita questiona suas idéias, as idéias de outros e as idéias de sua Doutrina sempre a procura de uma interpretação melhor, mais útil, mais equilibrada, mais dignificante, mais inteligente.
É preciso exercitar a habilidade emocional para lidar com a oposição a nossas idéias.
O bom mestre se alegra com o discípulo que questiona seus ensinamentos, testando-os à luz da argumentação, experimentação, observação e inteligência.
Há uma tendência para nos irritarmos se contrariados, em especial, no que diz respeito àquilo em que acreditamos com mais força.
Naturalmente cabe àquele que faz o contraponto a uma idéia ou interpretação, fazê-lo com respeito em um clima de fraternidade e de busca de um entendimento melhor.
A Doutrina desconsidera a idéia de perfeição e acredita na constante evolução. O máximo que um espírito pode fazer, se for muito teimoso, é tornar sua evolução mais lenta.
Do meu ponto de vista, perfeição seria uma noticia ruim. Se algo é perfeito significa que não pode ser melhorado e isto seria uma limitação.
Se não há perfeição, nenhuma idéia, venha de onde vier, pode ser aceita sem a avaliação de nossa inteligência, sem nosso questionamento, mesmo que seja uma idéia da Doutrina Espírita.
Como a Ciência, o Espiritismo é auto-corretivo, e falhas nas fundações cedo ou tarde cedem ao peso das estruturas acima.
Jamais devemos deixar de pensar, questionando assim, mesmo as idéias de nossos maiores mestres.
Jamais devemos nos aborrecer com aquele que respeitosamente nos questiona, pois ele é nosso amigo, e um amigo da verdade.
Há um ditado que diz: “Preste muita atenção ao que os outros dizem, principalmente quando eles não concordarem com você.”
Para a Doutrina Espírita não há verdade absoluta, ou dogma, ou autoridade acima da inteligência e da argumentação.
Em um clima de fraternidade e de respeito, o espírita busca a verdade construída, nunca acabada, nunca perfeita, sempre em evolução.

Alan Schlup Sant’Anna