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TEOLOGIA ESPÍRITA |
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A Faculdade Doutor Leocádio José Correia obteve em 2002 a aprovação, por parte do Ministério da Educação do Brasil, do primeiro curso de Teologia Espírita conhecido até então. A autorização do curso surpreendeu e agradou a maioria das pessoas que tomaram conhecimento do curso. Pessoas de várias denominações religiosas procuraram a Faculdade, assim como houve muita procura por parte de pessoas de vários Estados, interessadas em saber quando a Faculdade irá oferecer uma versão do curso à distância. Apesar das inúmeras manifestações de apoio surgiram também algumas opiniões contrárias ao curso. O que mais surpreendeu, contudo, é que as únicas restrições vieram de quem menos se esperava, de alguns espíritas. Uma das restrições foi contra o termo Teologia, indicando o nível de desgaste da palavra. Quem buscar conhecer a origem da palavra Teologia descobrirá que a mesma provém da junção das palavras gregas Theos e Logos. Para os gregos, Theos significava Deus ; e Logos era entendido como significado, razão, lógica ; daí deriva o sufixo logia que chegou até nós como o estudo de uma área do conhecimento. Uma breve pesquisa sobre cursos de Teologia irá revelar referências à Teologia Judaica , Teologia Batista e Teologia Católica entre outras. Entretanto, ao contrário destes cursos, é importante não confundir a Teologia Espírita com a formação de sacerdotes, pois esta idéia não faz parte da concepção da Doutrina Espírita, portanto não é a intenção do curso. Segundo o entendimento do MEC, um curso, cujo propósito é graduar pessoas que estudam a relação do ser com sua origem , o sentido e o significado da vida, da dor e da morte, estará bem identificado se for denominado como curso de Teologia. Considerando que os graduandos s ão capacitados , para conduzir pesquisas à luz dos métodos científicos, sobre temas espíritas como a vida após a vida , o retorno à vida e a s comunicaç ões entre o polissistema material e o po lissi stema espiritual, nos parece evidente que o curso dev a agregar a designação Espírita ao nome Teologia . Quem tiver a curiosidade de pesquisar a opinião de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, encontrará a seguinte observação no primeiro parágrafo da página 342 do livro Obras Póstumas: Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns. Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas conseqüências.
Até recentemente, se uma organização quisesse nomear um pesquisador ou um professor espírita titulado, para atuar em um conselho ou em sala de aula, teria que recorrer às denominações existentes, pois não havia uma graduação em espiritismo oficialmente reconhecida pela sociedade organizada. Felizmente, a partir da formatura da primeira turma em 2006, esta situação começou a mudar. A segunda resistência e possivelmente a mais surpreendente, pelo fato de vir de espíritas, tem a ver com a preocupação de que os estudiosos espíritas possam trazer novos conceitos ao entendimento espírita. Novamente, recorremos ao próprio Allan Kardec para lembrar a todos que o Espiritismo não é uma obra terminada, muito ao contrário. Na página 346, do livro Obras Póstumas, ao final do parágrafo terceiro, ele afirma o seguinte:
...os resultados coletivos e gerais serão fruto do Espiritismo completo, que sucessivamente se desenvolverá. Ou seja, afirmar que a Doutrina Espírita não admite novos conceitos , seria o mesmo que garantir que todo o existente já foi revelado e não há mais nada para pesquisar ou entender. Seria como imaginar Sócrates dizendo “Só sei que tudo sei”. Antes de admitir que já sabemos tudo, nos parece importante refletir sobre a Doutrina dos Espíritos – como um grande conjunto de princípios e fundamentos que preenchem o Universo e sobre a Doutrina Espírita como a parcela destes conhecimentos que Allan Kardec conseguiu compilar e organizar e que são reconhecidos como a codificação espírita. Assim sendo, o Espiritismo , pode ser entendido como a interpretação e a prática destes conhecimentos, limitado pelas informações disponíveis e pelo entendimento de quem faz a prática espírita num dado momento. Desta maneira, por uma questão de lógica e até por respeito às recomendações d e Kardec, precisamos continuar estudando, pesquisando, contextualizando, desdobrando e reinterpretando o conhecimento esp í ri ta à luz da F ilosofia, C iência e R eligião . Se assim não procedermos, estaremos cristalizando o conhecimento atual, fato este que condenaria o Espiritismo a se tornar uma R eligião datada e de pouca utilidade prática. A terceira preocupação entre os espíritas receosos, é que o curso venha a formar espíritas orgulhosos que passariam a exigir respeito em relação aos seus diplomas. Tal preocupação nos parece infundada, pois a proposta do curso, não é formar espíritas, mas capacitar pessoas de várias denominações religiosas a fazer o estudo transdisciplinar da Doutrina dos Espíritos sob a luz da Filosofia, Ciência e Religião, bem como divulga r o entendimento novo que venha a ser alcançado. Assim, a sociedade organizada que já reconhece os Teólogos das outras linhas de fé, passa a contar com os Teólogos da fé espírita, que juntamente com os demais poderão contribuir para o processo de reespiritualização da humanidade. Quanto à questão de alguém exigir respeito por suas opiniões, em função do tempo de estudo ou de um diploma, aparentemente isto já está ocorrendo por parte de alguns Espiritistas, os quais mesmo sem conhecer o currículo do curso, sem conhecer os professores e a mentalidade da Faculdade, se apressaram a julgar o curso de Teologia Espírita, manifestando preocupações com os desdobramentos no entendimento dos princípios da Doutrina e a previsível evolução da consciência espírita. Assim sendo, quanto à preocupação de Teólogos Espíritas passarem a se proclamar donos da verdade, é algo que estará sempre sujeito ao livre arbítrio de cada um, contudo nos parece pouco provável que os estudiosos de Filosofia, Ciência e Religião, adotem este tipo de atitude; mas se adotarem é menos provável ainda que eles consigam espíritas conscientes que lhes dêem algum crédito. Quem analisar o currículo do curso, concluirá que, ao lado dos atuais estudiosos e praticantes do espiritismo, a sociedade passará a contar com professores, pesquisadores e conselheiros instrumentalizados para abordar de maneira transdisciplinar os desafios sociais que transitam pela filosofia, ciência e religião. Isto ampliará o grupo de pessoas ocupadas com o estudo, compreensão e divulgação da Doutrina Espírita. Os Teólogos Espíritas, apoiados no reconhecimento oficial, passam a acessar novas áreas de atuação, contribuindo assim, com a construção da fé crítica raciocinada e com a ampliação do autoconhecimento individual, o que poderá resultar em melhoria da qualidade de vida e um maior equilíbrio nas relações sociais. O curso com uma duração de quatro anos é oferecido no período noturno e pode ser realizado por disciplinas isoladas, de acordo com a disponibilidade do aluno. A grade curricular faz jus ao termo transdisciplinar e pode ser vista na pagina eletrônica www.falec.br sob o titulo Graduação – Teologia Espírita. Entre as várias disciplinas, é interessante destacar a Sociologia, Antropologia, Filosofia, Lógica, Hermenêutica, Medicina e Espiritismo, Metodologia Científica, Pesquisa, Monografia, História das Religiões e disciplinas voltadas à pesquisa e ao estudo sistemático da codificação e demais obras espíritas. O corpo docente é formado por especialistas, mestres e doutores das áreas de ciências humanas, biológicas e tecnológicas, com profundos conhecimentos da Doutrina Espírita. O curso busca desenvolver no acadêmico o potencial de autodesenvolvimento, autocrescimento, autoconhecimento; permitindo que o individuo, através do estudo e da pesquisa se descubra como agente, sujeito, autor e construtor do seu próprio conhecimento, ajudando-o a revelar a si mesmo quem ele é e o que ele quer ser. Assim sendo, o Teólogo Espírita, pode contribuir profissionalmente e ou voluntariamente em organizações relacionadas à saúde, assistência e desenvolvimento social, em unidades culturais, em núcleos de estudos espíritas e instituições religiosas. Pode atuar como membro de conselhos de ética dentro de organizações de grande porte e setores como o de Talentos Humanos, em setores envolvidos no desenvolvimento pessoal e profissional. Entre outras áreas, o Teólogo Espírita pode contribuir no terceiro setor e ONGS, na criação e desenvolvimento de projetos nucleados na promoção e dignificação do ser humano. Há segmentos do conhecimento humano secularmente questionados pela atitude filos óf i c a e ainda não respondidos pela C iência. A F ilosofia tem cumprido seu papel de nos ensinar a repensar o conhecimento de maneira racional e lógica , mas com respeito a várias questões existenciais, ainda temos muitas perguntas não respondidas. A C iência ; com sua metodologia rigorosa, f az verificação para tornar o conhecimento cada vez mais confiável ; porém, quando perguntamos sobre o sentido e o significado da vida, a C iência ainda não tem o que dizer. A área da cultura que trabalha estas questões ainda não respondidas pela Ciência é chamada R eligião e o curso formal que estuda os princípios religiosos com profundidade é a Teologia . O curso de Teologia Espírita, fazendo o cruzamento do conhecimento da Ciência, Filosofia e Religião, vem contribuir para a construção da unidade do conhecimento e na promoção da expansão das fronteiras do conhecimento espírita. Como resultados deste processo podemos esperar a melhoria dos níveis de qualidade, equilíbrio, dignidade e harmonia da vida no Planeta Terra. Paulo Henrique Wedderhoff |