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1 - INTRODUÇÃO
Psicopictografia é reconhecida como
uma atividade realizada por grupos de estudos mediúnicos, de pesquisa
e estudo, da comunicação gráfica entre os polissistemas
material e espiritual.
Na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE, a psicopictografia
é uma atividade exercitada por grupos de médiuns especialistas,
que, por orientação do espírito Antonio Grimm, realizam
trabalhos de pesquisa e estudo da comunicação gráfica
entre os polissistemas.
A Casa Espírita trabalha a idéia de transmitir uma mensagem
específica por meio das obras realizadas pelos grupos especialistas,
considerando três principais objetivos:
a) Levar o observador da mensagem ao equilíbrio psico-bio-espiritual,
o que significa, segundo a coordenadora Claudia de Lara, trazer equilíbrio
e melhor qualidade de vida para quem os observa..
b) Através de avaliações feitas por estudiosos da
arte, procura-se provar a existência de espíritos, confirmando-se
evidências de traço, estilo ou outros elementos característicos
do trabalho de determinado artista já desencarnado.
c) O trabalho procura demonstrar que o espírito continua em evolução
no polissistema espiritual, pois sua obra, atual, inédita, contextualizada
dentro dos valores axiológicos atuais, demonstrará que o
espírito continua pesquisando, criando, inovando, numa visão
crítica e construtiva da vida.
A atividade de psicopictografia então, é descrita como o
trabalho de um médium realizando uma criação, através
da capacidade mental e da orientação de um espírito.
É pela Doutrina dos Espíritos que a SBEE procura conscientizar
e integrar o homem na diversidade da vida, proporcionando instrumentos
e instruções para que ele possa alcançar pela experiência,
a verdade. Quando, se forma na SBEE, um grupo especialista com o objetivo
de estudo e pesquisa, também, na esfera espiritual, se forma um
grupo com um coordenador de todo o trabalho, com o fim de sensibilizar
transformações, na ordem social, cultural, política
e econômica da terra.
O objetivo básico deste estudo é conhecer, levar esclarecimentos
e ao entendimento, sobre alguns aspectos observados através do
processo mediúnico, desenvolvidos pelo grupo de estudos da Sociedade
Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE, o Grupo de Psicopictografia.
2 – REVISÃO DE LITERATURA
2.1 DEFINIÇÕES
E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA PSICOPICTOGRAFIA
Conforme CRUZ (1999),
cita no Caderno de Psicofonias que o centro espírita como casa
do saber, se estende por todo o social. As mensagens do processo mediúnico
contextualizam o social, promovem a revolução moral. A ciência
se dignifica pela consciência do cientista, a mentalidade se estrutura
no senso crítico, permitindo portanto ao homem fazer permanente
indagação sobre o acontecendo.
A Doutrina dos Espíritos procura conscientizar, o ser e a sociedade,
da responsabilidade do processo de sustentabilidade no tempo e no espaço;
de enxergar a mudança como condição única
de evolução cognitiva, afetiva, psicomotora e espiritual.
Segundo CLAUDIA DE LARA, (2004), uma obra de arte é um elemento
de um sistema de comunicação convencional, que tem uma significação
e um sentido, que resulta da associação de um significante
e de um significado. O significado que a obra terá, deve ser de
qualidade de vida para aquele que faz fruição da obra. O
significado sempre irá variar de pessoa para pessoa, mas sempre
num padrão de equilíbrio físico, mental e espiritual.
Conforme IR. GRIMM, (1999), a obra de arte é um instrumento político
de modificação de comportamento. Político no sentido
da política espírita: o indivíduo se estruturando
e se auto-estruturando para uma melhor qualidade de vida.
Os níveis de participação na cultura, de acordo com
GRIMM (1999), são:
Universais: idéias, hábitos e respostas comuns a todos os
membros da sociedade (ex. língua, indumentária).
Especialistas: elementos compartilhados por certas categorias socialmente
reconhecidas, mas não por todos os membros da sociedade, embora
todos se beneficiem dos seus resultados (ex.atividades científicas
de uma sociedade);
Alternativas: elementos culturais partilhados por grupos ou comunidades,
não chegando a ser universais;
Individuais: elementos culturais essencialmente individuais, na forma
de hábitos, idéias, não praticados por grupos ou
comunidades, mas apenas por indivíduos.
De acordo com afirmação transcrita por LARA (2004), a mensagem
da obra de arte espírita será sempre universal, especialista,
alternativa e individual.
2.2. FATORES ENVOLVIDOS NO PROCESSO MEDIÚNICO
O processo mediúnico
é intenso e extenso, o produto alcançado é sempre
cultural, que os vetores significam integração do homem
com o meio, com a comunidade, com a vida, com o Creador.
A mensagem doutrinária espírita foi, é e será
sempre dinâmica no que diz respeito à intenção,
à intensidade e a extensão, uma vez que está sinalizada
para produzir, fazer sensibilizar grandes transformações
na ordem política, social, econômica e cultural da terra.
A mensagem carrega a sinalização universal da verdade, a
força especialista do mundo dividido, a alternatividade do mundo
pluralizado, e a dinâmica do individual que sensibiliza o ser a
fazer conhecimento de história de vida, portanto, a mensagem tem
o sentido de transversalidade, ela ensina a olhar, a enxergar, a ver,
a sentir, a participar, a aceitar a transformação, a fazer
a avaliação.
Segundo CRUZ, (2001), a Doutrina dos Espíritos tem preocupação
com a chamada cultura construída. Não a nega, no entanto
recomenda cuidado. Não esquecendo de que a humanidade já
alcançou valores universais significativos da preservação
da vida, do respeito à dignidade humana, das liberdades públicas,
da luta contra os preconceitos, da justiça. Lembrando portanto
que a cultura construída não poderá nunca negar,
proscrever, esses conceitos. Assim, de acordo com o mesmo autor, a cultura
construída deverá necessariamente trazer instrumentos e
instruções que dignifiquem a vida, que integrem a primeira
mão cultural, a cultura popular e a cultura erudita.
De acordo com IR. GRIMM, (2000), a teoria espírita da ação
quer que o agente mediúnico entenda que, o ator e o portador da
cultura é o espírito. O espírito começa a
sua ação na construção do pensamento, traduz
em linguagem, concretiza em atos, constrói instituições
e altera a sociedade. Portanto, é o espírito que mantém
a inteligência, cria e organiza a cultura, conceitua as coisas,
especifica a utilidade, integra teoria e prática para satisfazer
as necessidades humanas.
Quando em exercício de produção mediúnica,
pelo processo propriamente dito, as duas inteligências em consenso
alcançam o chamado estágio ou via de produção,
construção, que se expressam com valores, com formas, significativos
ao grupo predisponente, emergente, que pode ser imediato ou mediato.
A Doutrina dos Espíritos recomenda aos estudiosos do espiritismo
que procedam à chamada avaliação de conteúdo,
nas ditas mensagens dos espíritos, e que, nessa avaliação,
procurem levantar os valores fundamentais da Doutrina, que utilizem como
instrumentos de avaliação o cognitivo, o conhecimento espírita,
a ciência espírita, a religião espírita. Que
procedam essa avaliação de conteúdos nos conceitos
do afetivo espírita: as obras de causa e de efeito que se propõem
à educação espírita estão sempre sensibilizando
o homem através do afetivo, num processo aberto e dignificador
da pessoa, no qual os exemplos são sempre construtivos, sinalizados
com a mensagem doutrinária manifesta e latente, GRIMM, (2000).
“O processo espiritista de ação prática necessariamente
tem de se preocupar com as províncias de significação
humana, como por exemplo, num dado momento, pode ser estudada, pesquisada
em segmentos diversificados de ação conjugada, como:
1) a percepção do universo consciente de ação,
portanto na relação do ser com o Universo;
2) a memória: o processo integrativo, sistematizado, departamentalizado,
ao longo da existência espírito-matéria, que permite
que o indivíduo faça consulta do que se lhe apresenta ao
que registrou como conhecimento, através das diversas vigências,
experiências da vida inteligente;
3) o juízo crítico: a relação entre a inteligência
que pergunta ao mais profundo do ser inteligente, numa visão crítica
de conhecimento, sabedoria, a relação entre o grande e o
pequeno, o continente e o conteúdo, o certo e o errado, a razão
e a abstração, a referência, a indagação
e a síntese, etc.;
4) a intuição: a faculdade que cada indivíduo apresenta
de relacionar, sistematizar, decodificar, o existente, numa relação
de processo, que envolve a massa crítica da vontade, da ação,
numa relação de mentalidade, portanto de relação
com semelhantes, que lhe faculta alcançar, num dado momento, a
antecipação de um resultado. A intuição é
sempre o sentido da vida, na plenificação do ser, portanto
é processo;
5) imaginação: não há vida inteligente sem
imaginação. A imaginação antecede todas as
descobertas, é a alavanca do progresso e do desenvolvimento, é
a linguagem do espírito, da mente, do sentimento, que é
capaz de estimular o indivíduo a alcançar o existente, criando,
inventando, descobrindo, associando, dispondo, revitalizando, recombinando,
etc.”
A personalidade, num dado momento, se expressa através das chamadas
estratégias de ação de cada segmento trabalhado acima.
“Psicomotor: o conteúdo espírita na sua plataforma
de sustentação trabalha o instituto da reencarnação,
no qual a permanente migração do espírito da Terra
para o espaço e do espaço para a Terra, afirma a dimensão
do movimento no espaço.”
Segundo GRIMM (2000), não se deve esquecer que a Doutrina dos Espíritos
permite que a casa espírita trabalhe processos de criatividade
para alcançar as finalidades educativas. Assim, o currículo
construtivista, operando a força manifesta e latente da Doutrina
dos Espíritos, tem condições de sensibilizar estudiosos,
pesquisadores, para aumentar o volume da linguagem sistemática.
Outrossim, não se deve esquecer que a mensagem espírita,
propriamente dita, portanto dos dois polissistemas, para ser avaliada,
descrita, sistematizada, necessita partir do conceito de fonte no qual
se agrega o existente pleno do espírito manifestante e do médium,
permitindo que o espírito manifestante assuma o processo de avaliação
que envolve o currículo espiritual do médium, o seu próprio
conhecimento espiritual, o conhecimento do grupo emergente e predisponente,
imediato e mediato. Portanto, a mensagem é sempre dinâmica,
intensivamente vibrante, os seus conteúdos manifestos e latentes,
objetivam valores integrativos, evolutivos, universais, especialistas,
alternativos e individuais que dão sentido à percepção
do continente. A titulo de comunicação espírita,
o continente é a grande massa de mentalidade emergente, predisponente,
identificadora do planeta, a título de domínio cultural.
2.2.1. A INFLUÊNCIA
DOS MÉDIUNS
As principais observações
sobre as conceituações teórico-práticas foram
observadas e transcritas pela coordenadora de um grupo de psicopictografia
da SBEE, de LARA (2004), os quais possibilitam refletir sobre a dinâmica
do processo mediúnico.
Os espíritos bons, segundo GRIMM, transcritos por de Lara, são
indutores de freqüências novas; freqüências que
levem o indivíduo a ter mais qualidade de vida. O artista tem que
levar a quem observa a sua obra, a uma freqüência melhor do
que aquela em que ele se encontra. Assim, conforme observação
da mesma, os Espíritos que auxiliam a produção de
obras mediúnicas tem o objetivo de juntamente com os médiuns,
produzir mensagens que tragam equilíbrio a quem escute, ou leia,
ou veja uma obra mediúnica. A obra de arte deve expressar fortemente
a linguagem latente da disciplina, da matéria, da humanidade e
de Deus a totalidade. (GRIMM, 2001).
Assim, o artista espírita, não deve jamais ter a intenção
de produzir obras que agridam, que provoquem desconforto, nervosismo ou
mal-estar, como fazem alguns artistas da arte contemporânea. O artista
espírita pode produzir obra de contestação para alertar
a comunidade sobre algum problema que esteja acontecendo. Contudo, esta
obra não poderá ser repulsiva. Deve levar o observador da
obra a uma reflexão crítica sobre o assunto. Conforme citado
pela mesma autora, DE LARA, foi solicitado para o grupo de Psicopictografia,
pelo Ir. Leocádio, no ano de 1993, para que se fizessem obras que
retratassem os meninos de rua, que suscitassem sensibilização
com o problema e levassem a comunidade tomar providências. Assim,
foram produzidas obras de cores escuras e frias. Houve então, a
orientação aos mesmos grupos, para que junto a essas obras
fossem produzidas outras com mensagens de paz e esperança, para
mostrar que existe sempre um caminho.
Para valorizar o nosso patrimônio cultural e a cultura do Paraná,
foi solicitado recentemente pelo Dr. Leocádio, ao grupo de psicopictografia
que fossem feitas obras inspiradas nas lendas do Paraná, que retratassem
locais de importância histórica e cultural no Paraná.
Segundo LARA,(2204), quando se fala em Arte Espírita, no exercício
mediúnico está se valorizando o “homo artifex”,
ou seja, aquele homem que cria bens materiais que possam levar qualidade
de vida a todos na sociedade em que vive.
2.2.2 O PROCESSO MEDIUNICO
De acordo com GRIMM
(1999), citado por das coordenadoras do grupo de Psicopictografia, Claudia
de Lara, pode-se conceituar o processo mediúnico como resultante
de experiências vividas no contexto da diversidade, para alcançar
conceituações do mundo, da pessoa e da coisa. Assim, sendo
a história de vida de cada um, o processo mediúnico é
todo o aprendizado, permitindo que o indivíduo decodifique o seu
interior, fazendo equilíbrio com o mundo exterior. A ponte entre
os dois segmentos é sempre o ponto que fundamenta a comunicação
com o polissistema espiritual.
Ainda conforme a mesma coordenadora do grupo, a natureza do processo mediúnico
revela o trânsito do espírito, a construção
da sua consciência, de seu caráter, da sua capacidade de
renúncia, da sua consciência do “Eu no Eu”. A
natureza do processo mediúnico permitirá sempre ao homem
indagar sobre a sua gênese, o seu crescimento, a sua consciência,
o seu ser no espaço cósmico.
A estrutura do processo mediúnico, segundo GRIMM (1999), está
vinculada ao processo reencarnatório de cada indivíduo.
Portanto, todos são médiuns, e assim, todos conseguem operar
a consciência interativa entre os dois polissistemas. A produção
mediúnica se processa pela integração consensual
de agentes dos dois polissistemas num dado momento, num espaço
privilegiado, atendendo a objetivos pré-estabelecidos.
“Isso significa que estruturalmente, todo o espírito encarnado
tem condições de buscar, através dos elementos existenciais
do seu tempo, a comunicação com o chamado mundo dos espíritos.
Lembrando que não há grupo humano ou um só povo que
não tenha em sua história o registro da comunicação
com os chamados mortos”, GRIMM (1999).
3.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho
foi elaborado por pesquisa em bibliografias e entrevistas, visando identificar
e registrar os principais aspectos da comunicação mediúnica,
bem como o processo e a qualificação do produto mediúnico,
a psicopictografia.
Por tratar-se de pesquisa e prática ainda em fase desenvolvimento
e experimentação, ainda não se dispõe de material
de informação que possibilite um estudo aprofundado sobre
o assunto.
Este estudo teve como base informações de material compilado
por médiuns do grupo de estudos, através das orientações
do espírito do irmão Antonio Grimm, bem como registros formulados
sobre o assunto, coletados por uma das coordenadoras do grupo de estudos
de psicopictografia.
Resultante do processo de comunicação entre os polissistemas,
a psicopictografia pode ser definida na prática como trabalho de
um médium realizando uma criação, uma pintura através
da capacidade mental, e da orientação de um espírito.
Os trabalhos de pesquisa desenvolvidos na SBEE, tem a orientação
de um dos espíritos mentores da casa, o Espírito Antonio
Grimm, através do médium Maury Rodrigues da Cruz.
O processo do método de trabalho a ser desenvolvido, bem como as
fases do processo, teve a orientação do mesmo médium.
Com base nos estudos sobre o processo de comunicação entre
os polissistemas, foi desenvolvido inicialmente um trabalho de grupo através
de exercícios de relaxamento, sensibilização e respiração
que possibilitassem e facilitassem esta comunicação LOPES
(2002). Conforme transcrito por LOPES, o grupo de psicopictogravura que
originou-se do grupo de psicopictografia, desenvolveu-se em duas fases
de acordo com a orientação do espírito Antonio Grimm:
“A primeira fase do processo criativo é um ato geral de formas
onde a natureza e o natural do artista se confundem. A pesquisa dentro
da natureza são os ensaios que o médium, ao iniciar em grupo,
faz em torno das formas, do desenho, do uso de materiais diversificados,
da pesquisa em torno da arte, das tendências, das freqüências
diferenciadas no seu momento de trabalho”.
Nesta primeira fase desenvolvida na prática pelos grupos de estudos
da SBEE, que durou até mais ou menos até 1989, procurou-se
obter a comunicação entre os polissistemas, identificando
os objetivos da casa, do grupo e o funcionamento da casa. Procurou-se
identificar também quais as possibilidades para a realização
do trabalho, os tipos de materiais, as formas de bancada de trabalho,
locais para execução e toda a metodologia do trabalho.
Na segunda fase, que perdura ainda hoje, conforme LOPES (2002), seguindo
a recomendação do espírito Antonio Grimm, que orientou
ao grupo que cada médium elegesse um artista com o qual tivesse
alguma identificação ou predileção, com o
objetivo de conhecer o espírito e suas concepções,
facilitando desta forma a comunicação entre os polissistemas,
desenvolvendo assim, a “CONCEPÇÃO DE MENTALIDADE”.
Esta é uma fase de estudo quando ocorre a necessidade de formação
de laços mais estreitos entre o médium e o espírito
do artista escolhido. Neste estudo procura-se conhecer a vida, a obra,
estilo e peculiaridades, tornando possível o contato e a concepção
da obra materializada ou não pelo artista em sua vida terrena.
3.1. DESCRIÇÃO DAS FASES
Os grupos de psicopictografia
trabalham em 3 fases de produção mediúnica, a saber:
- Primeira fase: CORPUS
DA COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA
Segundo Irmão Antônio Grimm, é o conjunto que abrange
os princípios da Doutrina Espírita, sua interpretação
e sua aplicação, necessários para construir uma determinada
postura diante do mundo. Caderno de Psicofonias, (1999).
Nesta 1ª etapa do exercício, o médium converge os trabalhos
no desenvolvimento do seu afetivo-psicomotor voltados à arte. É
o exercitando na busca de base e fundamento para a criação
artístico-mediúnica.
Há necessidade do médium trabalhar constantemente o processo
do corpus na comunicação mediúnica, de forma a fazer
continuamente transformação, visto que, quanto maior ele
for, tanto maior será a possibilidade de criar.
“Criar é colocar a própria dimensão do espírito,
todo o ser num processo de utilidade.”
Aos grupos de psicopictografia sugere-se que, discuta-se, questione-se,
sobre a importância da construção do corpus, por que
construir, de que maneira construir, que fazer para construir –
lembrando que o processo da comunicação mediúnica
é o resultado, uma somatória de vários fatores, a
saber: conscientização do processo de sustentabilidade no
tempo e no espaço, e que está vinculado a dois momentos:
- momento de consentimento do médium e momento de consentimento
do espírito - é portanto, a partir da construção
do corpus, que o médium cria a possibilidade da manifestação
espiritual, estando condicionado portanto, ao maior corpus criado, à
maior produção mediúnica.
- Segunda fase: CONCEPÇÃO
DE MENTALIDADE
Busca constante, pesquisa aprofundada, rastreamento, são elementos
essenciais para ser capaz de captar momentos criativos dos grandes pintores.
Após rastrear o bolsão dos pensamentos do artista com o
qual se identifica, estudar seu estilo, escola, contexto histórico,
sua vida, suas obras..., o médium, passará então
a captar sua mentalidade de produção.
Por bolsões de pensamentos, entende-se pelas idéias que
o artista teve em seu processo criativo, porém não as materializou,
idéias essas que não se perdem, são como ondas de
freqüência que se fixam nos bolsões.
Uma vez, criado o corpus da comunicação mediúnica
e acessado o bolsão de pensamentos concebidos, o médium
estará capacitado a captar momentos de criação do
pintor/artista, e assim, com auxílio do polissistema espiritual,
reproduzi-los em tela. Captando pensamentos e idéias de um pintor,
o médium, com referência do passado, dimensiona o presente.
- Terceira fase: PRIMEIRO
CONTATO COM ESPÍRITO
Há grupos de psicopictografia em diferentes níveis de evolução.
Em 1996 o Grupo 1 de Psicopictografia, sob a orientação
da coordenadora Ieda Coelho, teve a orientação do espírito
Antonio Grimm para que seus trabalhos fossem feitos em tamanho grande.
Neste período a produção mediúnica se diferenciou.
Foram produzidas mais obras, com boa qualidade artística e em pouco
tempo de trabalho. Conforme Antonio Grimm, o grupo teria atingido a 3ª
fase da psicopictografia. Teriam feito um primeiro contato com o espírito
Claude Monet, artista que alguns médiuns do grupo já trabalhavam
a concepção de mentalidade. Conforme Grimm, talvez em 2005
Claude Monet poderia manifestar-se, dependendo da continuidade de pesquisa
do grupo de médiuns.
Por mais que ainda não tenha havido a manifestação
espírita dos artistas plásticos estudados pelos médiuns,
há sempre uma equipe espiritual de estudiosos da arte que se manifesta
com os grupos. Talvez uma 4ª fase da Psicopictografia seja a manifestação
do espírito do artista, trazendo uma obra inédita, com conteúdos
pertinentes à contemporaneidade.
3.2. PROCEDIMENTOS
DE ANÁLISE E AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS
Segundo a coordenadora
Claudia de Lara, em entrevista ao Jornal Documentos SBEE, um dos sinais
de influência dos espíritos na realização de
um trabalho é a rapidez com que o médium, produz uma pintura,
outra influência a ser observada é o uso incomum de tintas
e pincéis na produção artístico-mediúnica.
Sem contar que uma mensagem artístico-mediúnica deve, necessariamente,
transmitir qualidade de vida, harmonia, equilíbrio àquele
que a observa. É a avaliação dos conteúdos
cognitivos, afetivos, psicomotores e espirituais do processo e do produto
mediúnico.
3.2.1. QUEM PARTICIPA DOS GRUPOS
Interessados em ingressar
num dos grupos de psicopictografia, deverão estar freqüentando
pelo menos, o sexto módulo das reuniões de exercício
mediúnico da SBEE.
Não há necessidade de requisitos artísticos prévios,
porém ao ingressar num dos grupos, o exercitando “precisará
tornar-se um artista plástico”, segundo, Claudia de Lara,
pois estudar a história da arte, a vida dos grandes pintores e
as técnicas básicas da pintura, é fundamental para
integrar-se ao grupo de especialistas. Ou seja, para aqueles interessados
em participar dos grupos, que já seja artista plástico,
poderá fazer parte do grupo dois. Para aqueles que se iniciam nas
artes poderão fazer parte do terceiro grupo.
Na SBEE, são três os grupos de exercícios que trabalham
com a arte de pintar influenciados pelo polissistema espiritual. Cada
grupo é orientado por uma coordenadora, que tem sob seus cuidados
menos de dez participantes.
O primeiro grupo de psicopictografia iniciou em 1982, e tem a coordenação
de Ieda de Camargo Coelho. O grupo se reunia anteriormente às 5ª.s
e 6ª.s feiras e, hoje, reúnem-se aos domingos, uma vez ao
mês. O segundo grupo iniciado em 1989, era coordenado por Cristiane
Petrelli e Roberto Bittencourt, hoje é coordenado por Claudia de
Lara e Cristiane Petrelli Coelho. O segundo grupo reúne-se às
6ª.s feiras das 18:30 às 20:00 horas. O terceiro grupo coordenado
por Sueli Stramandinolli e Cleonice Tozatti, iniciou no ano de 1999 e
reúne-se às 6ª.s feiras das 20:30 às 22:30 horas.
4.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Com base nos conceitos
apresentados pelos grupos que participam dos estudos, observou-se que
o processo mediúnico não segue modelos, nem se estrutura
em fórmulas. Ele se manifesta em padrões que faz a sistematização
prática, teórica, absolutamente plástica, permitindo
que a mentalidade cultural possa ser alterada, conforme o fluxo de alteração
do padrão.
A realização de obras de psicogravuras é a comprovação
da capacidade mediúnica, ou seja, a potencialidade que o espírito
possui, permitindo que o processo mediúnico faça comunicação
com freqüências diversificadas do conhecimento universal.
A forma entendida, para a manifestação desta forma de comunicação
mediúnica é prática, racional e equilibrada, ou seja:
- Não existem fórmulas prontas ou determinados rituais,
contudo, a obra é resultado de trabalho, fruto da persistência
e da continuidade;
- Sobretudo, a realização deste trabalho envolve objetivo,
planejamento e estruturação.
Pesquisa feita pelas médiuns: Dirce Matsunaga
e Márcia Rodrigues
5 . CONCLUSÃO
Este estudo mostra
as possibilidades encontradas para a realização de trabalhos,
alcançando resultados, dentro das condições estabelecidas
pelas especificações da SBEE, para produção
de trabalhos psicopictográficos através do processo mediúnico.
Os quadros construídos através deste processo alcançaram
valores dos objetivos próximos aos requeridos pelo espírito
orientador do estudo. A realização prática para melhorar
o nível de aproveitamento, depende da adequação ao
processo, de persistência e de todo o sistema de estudos.
No desenvolvimento deste estudo, foram efetuadas observações,
com base em dados experimentais dos grupos de estudo, os quais conduzem
a algumas conclusões, cujos aspectos mais relevantes apresentados
são:
- a característica maior do produto mediúnico é o
equilíbrio. O produto mediúnico aplicado à grafia,
à arte é também resultado de desafios, de uma visão
sistêmica, ou seja, da visão do sistema como um todo e não
reducionista ou apenas pontual.
- A realização de trabalhos mediúnicos, como a arte
de psicopictografia, deve promover a interação com o acontecendo
e permitir a harmonização dos problemas, alcançando
a consciência de ter encontrado um caminho ou um conhecimento.
- A arte é manifestação do produto mediúnico.
É a própria arte de bem viver, procurando equilíbrio
dentro do objetivo da evolução, traçando rumos com
clareza e objetividade, sendo persistente, mas, também sabendo
ceder.
6. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1. COELHO, I.C., Palestra Psicopictografia, Sociedade Brasileira de Estudos
Espíritas-SBEE, Maio, 2002.
2. CRUZ, M. R., Cadernos de Psicofonias de 1999; Doutrina Social Espírita/
pelo espírito Antonio Grimm – Curitiba. Sociedade Brasileira
de Estudos Espíritas - SBEE, 191 p., 2000.
3. ___________., Cadernos de Psicofonias de 2000; Doutrina Social Espírita,
pelo espírito Antonio Grimm – Curitiba. Sociedade Brasileira
de Estudos Espíritas - SBEE, 196 p., 2001.
4. DE LARA, C. Resumo de definições transcritas pela coordenadora,
do Grupo Laboratório de Psicopictografia, 3ª. Feira-Sede,
maio, 2004.
5. ___________, Jornal Documentos SBEE, AnoXI – Número 17.
novembro, 1999.
6. KARDEC, A., O Livro dos Espíritos. São Paulo. 1ª.
ed. Petit Editora e Distribuidora Ltda. 1999. 354 p.
7. KARDEC, A., O Livro dos Médiuns. São Paulo. 5ª.
ed. Editora Pensamento Ltda. 1999. 335 p.
8. LOPES, J.V.S. Trabalho desenvolvido para o encerramento do 5º.
Módulo do grupo de estudos mediúnicos de 3ª. Feira,
anexo da SBEE, Curitiba, 2002.
9. MATTOS, S., Jornal Documentos SBEE, AnoXI – Número 17,
pág. 14 e 15, novembro, 1999.
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