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EMBRIÕES – HÁ VIDA ANTES DA CONCEPÇÃO? |
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Uma visão transdisciplinar Vivemos um momento crítico em que Ciência e Religião expõem suas posições quanto ao uso ou não de embriões humanos para fins de pesquisas com células-tronco embrionárias. Neste caso, como também em muitos casos históricos, a humanidade pagará um alto preço se prevalecer a posição da facção religiosa conservadora. As dificuldades entre Ciência de Religião são na realidade divergências entre a Ciência e Igreja, aqui entendida como religião organizada, institucionalizada, hierarquizada preocupada em defender sua autoridade através da defesa dogmática de suas posições em detrimento da priorização do homem, quesito fundamental da religião. A maioria das pessoas já alcançou a idéia da existência da vida após a vida e todos os religiosos são por definição, espiritualistas; ou seja, crêem na sobrevivência do espírito. Mesmo muitos não religiosos acreditam que o ser do ser humano, que é o espírito, ocupa um corpo que lhe serve de veículo para uma ou mais uma experiência temporária no mundo material. Há evidências da antiguidade deste entendimento intuitivo nas ossadas com mais de 30 mil anos quando nossos antepassados passaram a enterrar seus mortos com pertences e alimentos. Era o despertar da consciência de que há vida após a vida. Hoje a grande dúvida é: há vida antes da vida, ou seja, antes da concepção? Há razão para crer que sim, mas isto não deve impedir o uso de embriões congelados, pois não há risco de cometer um crime contra a vida. Para compreender esta afirmação vamos aos argumentos. Apesar da abordagem racional do mundo espiritual no século XIX (vide Allan Kardec e suas experiências relatadas no Livro dos Espíritos) e das inúmeras demonstrações da comunicação entre os dois polissistemas culturais, o material e o espiritual, algumas religiões tradicionais ainda relutam em aceitar a idéia da pré-existência do espírito. Uma das razões é que ao admitir a pré-existência do ser do ser humano – ou seja, o espírito, desaparece o maior argumento contra a reencarnação. Idéia apresentada até por Jesus, segundo a Bíblia. Muitas religiões rejeitam a idéia da reencarnação há muitos séculos, pois temem a perda de credibilidade e poder. Possivelmente sabem que tal admissão reduziria a importância do salvacionismo através de representantes exclusivos de Deus na Terra. É uma pena, pois seria o fim da salvação e o começo da compreensão das leis de causa e efeito. A evolução multiencarnatória ficaria evidente e cada espírito encarnado compreenderia a máxima do Cristo: “À cada um de acordo com as suas obras”. Se já compreendemos que somos espíritos e que somos imortais, o que nos impede de entendermos que existíamos antes da nossa união ao embrião que formou o nosso corpo? Seria a afirmação de alguns religiosos de que Deus cria o espírito no momento da concepção? Se isso fosse verdade, como explicaríamos as diferenças intelectuais, físicas e de caráter, entre crianças da mesma família? Estaria Deus criando espíritos diferentes? Olhando casos extremos, concluiríamos que ou Deus é injusto, o que seria uma impossibilidade lógica, ou há outra explicação mais coerente. Ao entendermos que por questão de justiça todos os espíritos são criados simples e ignorantes e que através do livre arbítrio constroem sua história e respondem pelas conseqüências de suas escolhas, ficará evidente a lógica da Creação. Da mesma maneira ficará mais fácil compreender o instituto da reencarnação, bem como o sentido e o significado da vida na escola material da Terra. Isto posto, caberia a pergunta: “Quando é que um espírito se associa a um embrião”? Se tudo no Universo está sujeito a leis naturais como a lei da mudança e a lei do progresso, seria coerente que um espírito fosse vinculado a um embrião que poderá ficar congelado por décadas e depois descartado? Não seria um atraso no seu processo evolutivo? Não seria mais lógico admitir a existência de espíritos voluntários cientes de oportunidades reencarnatórias via implante de embriões? Assim, ao ocorrer um implante bem sucedido, haveria a união de um espírito voluntário ao embrião no útero materno. Da mesma maneira que milhões de espermatozóides e centenas de óvulos se perdem naturalmente, apesar se serem unidades vivas movendo-se em direção a um objetivo, o mesmo pode ocorrer com embriões fertilizados in vitro. Assim o seu uso para o bem das pessoas seria uma aplicação mais coerente do que o descarte. O interesse da Ciência sobre este tema se deve ao fato de que as células-tronco têm a capacidade de constituir diferentes tecidos no organismo. Além disso, podem se auto-replicar, ou seja, podem gerar cópias e repor tecidos lesionados. As pesquisas neste sentido podem significar esperança de cura ou alívio para milhares de pessoas que poderão ser beneficiadas pelo progresso da ciência. Seria triste, se nós que hoje não precisamos deste recurso, não pensássemos em quem precisa, até porque não há como saber se não chegará o dia em que precisaremos de um recurso que poderá não estar disponível porque ajudamos a impedir o seu desenvolvimento. Por outro lado, o benefício do uso de células-tronco de embriões não pode ser usado como justificativa para o aborto, pois neste caso já há um espírito associado ao embrião desde o momento da concepção no útero materno e sua remoção constitui um crime contra a vida e uma violência moral independente de qualquer cobertura legal. O aborto só seria admissível no caso de elevado risco de morte para a mãe, a qual poderá, no futuro, criar uma nova oportunidade de encarne para o espírito que aguarda tal oportunidade. O estudo transdisciplinar dos princípios da Doutrina dos Espíritos permite uma nova leitura sobre o significado da vida como oportunidade de continuidade de aprendizado. O debate lúcido e lógico das leis naturais pode levantar o véu que encobre várias áreas do conhecimento humano onde a ciência tem-se limitado a aceitar respostas balizadas pelos cinco sentidos conhecidos e onde algumas interpretações religiosas permanecem presas a dogmas e interesses cristalizados ao longo dos milênios. Neste ponto é importante lembrar a máxima de Jesus: “Conhecereis a verdade e esta vos libertará”.
Paulo Henrique Wedderhoff |