FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO – FALEC

O MÉRITO DE REIVENTAR-SE CONTINUAMENTE
STEVE JOBS – O Homem da APPLE
&
Discurso de JOBS na Universidade de Stanford
(Este texto é um dos mais divulgados na imprensa mundial)

 

BYTE ME!

No ultimo 1º de abril, a Apple completou 30 anos de existência. Apesar da idade ou por causa dela, essa empresa balzaquiana continua a ser sinônimo de inovação. Por quê? Steve Jobs, fundador e CEO da Apple, revigora-se e alterna fracassos e sucessos, sem desistir. Jobs passou por experiências, literais ou metafóricas, de quase-morte. E como ele próprio sugere, como se lerá no texto a seguir, precisa delas eventualmente para poder reinventar-se. Meio filosofo e meio hippie californiano dos anos 60, ele aconselhou a platéia de formandos da Universidade de Stanford a fazer somente aquilo que amam e nunca se acomodar. “Todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo do fracasso – essas coisas se desfazem diante da morte, deixando apenas o que é de fato importante” disse.

Jobs é o que se chama de líder carismático e têm o enorme potencial de promover mudanças com ênfase em novos produtos e tecnologias. Isso porque a inovação sempre precisa de coragem. As reviravoltas são lições. Ele ajudou a lançar a era do computador pessoal em 1976, com a Apple I, mas teve de assistir a Microsoft de Bill Gates conquistar o monopólio dos sistemas operacionais para PC's. O primeiro sucesso da empresa, criadora dos computadores Macintosh, foi em 1982, quando o decidiu dar a seus produtos uma identidade visual única.

Surgiu daí a Apple II, com tela colorida, gabinete de plástico e depois o drive de disquete externo mais barato do mercado. Desde então a Apple identifica-se com o visual arrojado. Investe em design, não apenas pela beleza, mas para ser funcional simples e fácil de usar. Exemplos são alguns modelos de notebook com luz no teclado o que permite trabalhar em ambientes mal iluminados. Bonitos, funcionais, mas não de massa: os preços da Apple são mais altos que os da concorrência e a empresa vende anualmente cerca de 3 milhões de computadores no mundo, uma participação no mercado pequena cerca de 3% do volume total de vendas, estimado em 200 milhões de unidades por ano.

Em 1985, Jobs foi demitido de sua própria empresa. Reiniciou a carreira em 1986, fundando duas novas companhias, a Next uma fabricante de computadores que estava à frente de seu tempo e a Pixar um estúdio de animação que criou uma série de sucessos de bilheteria. Ironicamente uma década depois a Next foi comprada pela Apple e Jobs voltou para a companhia que ele havia fundado. O estúdio Pixar depois comprado pela Disney produziu em uma década filmes de animação como “Vida de Inseto”, “Procurando Nemo”, “Os Incríveis” e “Toy Story”. Faturou 20 Oscars concedidos pela Academia de Cinemas de Hollywood e grandes bilheterias. Ele se tornou mais criativo com o fracasso, algo que talvez fosse impossível com uma carreira só de sucessos. Ou como ele disse: “O peso de ser bem-sucedido foi substituído pela leveza de ser novamente um iniciante”.

 

MANIA MUNDIAL – Não foram os Macintosh que popularizaram a Apple, apesar da legião de macmaniacos mundo a afora. A mais recente seara de sucesso da companhia de Steve Jobs é o IPOD um walkman que toca música digital com design elegante e despojado. O Ipod da Apple é o sonho de consumo de muita gente e segundo especialistas a mais real convergência entre o PC e outras mídias. Aliado ao serviço de download ITUNES passou a ser sinônimo de música digital. Graças à mania mundial de Ipod, Jobs foi capa da revista Time em outubro de 2005, apontado como um dos maiores inovadores de tecnologia do mundo.

O site Itunes é visto como o triunfo da Apple. Desde que foi criado em 2003 já vendeu mais de 1 bilhão de canções. Vende 2 milhões de musicas por dia e tem uma participação de mercado mundial de 82% - é a segunda maior loja da internet atrás apenas da Amazon. E o Ipod tem uma participação de mercado de 74%, com 22 milhões de unidades vendidas. O site tem acervo de mais de 3 milhões de musicas digitais à venda; é o maior serviço de download de músicas do mundo e mostrou a viabilidade de vender canções pela web de forma legalizada, com pagamento de direitos autorais.

Para Cezar Paz, diretor da AG2, agencia de inteligência digital, Jobs é o maior inovador do nosso tempo e responsável por três das principais inovações tecnológicas da era moderna. A Apple II o Macintosh e o Ipod. Além da obvia paixão que tem por tudo o que faz – diz Paz – há duas lições principais que Steve Jobs ensina quando fala da Apple: “a primeira é o que ele chama de ‘colaboração profunda'; os produtos desenvolvidos pela Apple não passam de equipe para equipe, não existe um processo de desenvolvimento, se estabelece de forma simultânea e orgânica. Os produtos são desenvolvidos em paralelo por todos os departamentos (design, hardware, software), com um número sem fim e permanente de revisões do projeto original. A segunda é o ‘Controle', Jobs não abre mão do controle e vive a operação da Apple com a paixão de um adolescente. Discute todas as idéias, mas não delega a responsabilidade das principais decisões sobre produtos. Faz questão de mostrar em atitudes que está no “controle de tudo”, explica Paz.

DEPOIS DO IPOD - o que está por vir parece promissor. A Apple firmou parceria com a Intel e está migrando os Macs para esta plataforma. Alem disso, apresentou o Boot Camp, software que permite rodar o Windows em computadores Apple com chip Intel. Com isso tende a ganhar fatias de mercado. Segundo pesquisa da Computer Industry Almanac, as vendas da Apple vão dobrar até 2010. A companhia vendeu 6,2 milhões de computadores entre 1991 e 1995; 17,6 milhões de unidades entre 1996 e 2000; 17,2 milhões de unidades entre 2001 e 2005 e deve atingir a impressionante marca de 33 milhões de unidades entre 2006 e 2010.

Veja, a seguir, a integra do discurso de Steve Jobs, o criador da Apple para os formandos de Stanford em Junho de 2005. Este texto mereceu inúmeras traduções e é um dos mais divulgados pela imprensa mundial.

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada mais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos. Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola.

E por que eu a abandonei?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta. “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro”. Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papeis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.

E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas inocentemente, escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. Ela estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já tomei. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias as que não me interessavam e comecei a freqüentar aquelas que pareciam interessantes.

Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de coca-cola para ganhar 5 centavos com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo Harikrishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.

Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do Pais. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gavetas eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava freqüentar as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria freqüentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a gente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro, olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, depois, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda. Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer da minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e em 10 anos a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia.

No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu o conselho de diretores ficou ao lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso publico e eu até mesmo pensei em deixar o Vale do Silício, mas, lentamente eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.

Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser um iniciante, com menos certeza sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes. Criei uma companhia chamada Next, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computadores, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a Next, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.

Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama . Isso é verdade tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último”. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Por que quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu medico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas – que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnostico o dia inteiro. Depois á tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelo intestino.

Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpe ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com maquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções.

Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Cataloge, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: “Continue com fome, continue bobo”. Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.
Obrigado.