O que pode ser mais importante do que a vida?

É interessante o nosso estado de distração para com a vida. Isso mesmo, ' distração '. Vamos vivendo como se não tivéssemos influência importante na vida de forma geral, como se não influenciássemos tanto o meio ambiente, como a vida de outras criaturas, o que inclui as pessoas. Vamos vivendo, priorizando, de tempos em tempos, modismos diferentes. Explico melhor... Certa vez ouvi de uma pessoa por quem tenho muito respeito e admiração: "Todos nós nascemos e vivemos graças ao apoio de outras pessoas; até depois de falecidos, outras pessoas cuidam dos nossos restos mortais " (Leocádio José Correia).

Este pensamento é muito claro. Porém, como citei antes, nos distraímos com inúmeras outras coisas que giram em torno de uma palavra monossilábica: eu. A tendência que temos de nos colocarmos em primeiro lugar nos leva, inclusive, a negar a vida (nossa e de outros). O apelo de uma casa maior e mais bonita, de um automóvel mais moderno, de uma carreira de destaque, da beleza física, do reconhecimento público em função do poder que se possa ter; todas essas coisas são motivos de distração. Distração esta que nos leva a esquecer da vida que se manifesta em florestas, rios, pessoas. Convivemos menos, temos menos paciência, excluímos, matamos, destruímos, falamos mal, nos achamos melhores, certos, merecedores da atenção e da renúncia de todos os demais. E assim os filhos vão embora, os casamentos acabam, as pessoas morrem, as espécies são extintas, os recursos naturais consumidos até o final. Por outro lado, conseguimos sair na capa da revista, alcançamos a promoção, trocamos de carro, compramos a casa, aumentamos a participação de mercado, acabamos com o concorrente e os empregos que ele gerava, dobramos a produção de automóveis, etc.

Tudo isso satisfaz, mas por um tempo apenas. Talvez até perder o filho, ou ficar sozinho, ou atropelar alguém, ou ser preso... ou ainda, até vir a ser o demitido, o atropelado, o empresário falido, o órfão, o viúvo, a viúva, o falecido. Será que não trocaríamos tudo o que possa haver de material pela vida que se vai? E se fosse possível, pela vida que já se foi? Sem dúvida. Sem dúvida! Mas, muitas vezes, o aprendizado somente será aplicado na ' próxima chance '. Só que esta próxima chance não será igual à primeira... não há como ser. Não seremos pais, irmãos ou filhos das mesmas pessoas. O que vivemos agora é único. Já ouvimos e lemos isso muitas vezes, mas continuamos a alimentar práticas que vão contra esse princípio.

Por mais contraditório que possa parecer, enquanto priorizamos o ' eu ' contribuímos para a negação da vida de forma geral. Mas e como fica o ' eu ' nessa história? Afinal, quem não quer ser feliz? Novamente cabe citar pensamentos de outras pessoas admiráveis: "quem tem compromisso com a própria felicidade não rompe com a felicidade dos outros " (Antonio Grimm); "não há felicidade sem realização" (Marina Fidélis). Cada um de nós fará este aprendizado; a diferença está na forma: pelo amor ou pela dor. Ou respeitamos a vida, ou por ação ou omissão contribuiremos para um crescimento gradual do desrespeito que acabará nos atingindo de alguma forma.

Qual é a sua escolha? Afinal, escolhas que fazemos todos os dias determinam como o mundo é. Novamente um pensamento muito oportuno: "o mundo é como é por que as pessoas são como são" (Leocádio José Correia). Óbvio, não? E, enquanto não vivemos desconfortos vamos nos distraindo com brinquedos e passa tempos. Mas, quando existem problemas, entendemos que é hora de mudar; poderíamos ter evitado! Como agir, então? Muito simples: aplique ética básica. Por exemplo: o que pode ser mais importante do que a sua vida? Aqui me refiro ao fato de você continuar vivo, existindo, convivendo, trabalhando, etc. Se você pensa isso sobre a sua vida, já encontrou o caminho, basta colocar este pensamento no âmbito geral: o que pode ser mais importante do que a Vida? Por fim: "seja feliz na felicidade dos outros" (Leocádio José Correia).

Nelson José Wedderhoff
Consultor, Professor do Ensino Superior
www.mediunato.org