O Gênio da Garrafa

Há muitos, muitos anos, em um longínquo país do Oriente, vivia um lenhador que tinha um filho único.
Como o pobre homem amava profundamente o seu filho, queria o melhor para ele. Por isso, certo dia, abriu uma caixinha na qual tinha guardado todas as suas economias e dirigiu-se à cidade para matricular o seu filho no melhor colégio do lugar.

Quando voltou à sua casa, o homem chamou o seu filho e lhe disse:

- Você vai estudar na cidade. Assim você será um homem mais educado que eu e poderá trabalhar para cuidar de mim quando eu estiver velhinho.
O menino foi para a cidade estudar em um grande internato e ali viveria com os seus professores e companheiros.
Conquistou rapidamente a simpatia e a amizade de todos que o conheciam. O seu caráter era tão doce e alegre e a sua inteligência era tão clara que logo se destacou como um dos melhores alunos da turma.

O filho do lenhador tirava as melhores notas e fazia as tarefas mais completas.

Todos os dias o garoto se levantava cedo para preparar suas lições e estudar muito, sem nenhuma demonstração de cansaço. Quando se sentia esgotado lembrava-se do seu pai, tão trabalhador, que sem descanso cortava lenha no bosque para que ele pudesse estudar.

Tudo caminhava muito bem, até que o dinheiro do lenhador terminou e teve que viajar à cidade para buscar o seu filho.

Os dois, muito tristes, regressaram ao povoado.

- Trabalharei com o senhor no bosque cortando lenha, papai– disse o jovem.

E apesar do pai querer um destino melhor para o seu filho, teve que aceitar.

Como tinham somente um machado, o garoto pediu emprestado outro para o seu vizinho e, a partir do dia seguinte, ia junto com o seu pai trabalhar no bosque.

O tempo passou e o garoto foi esquecendo seus sonhos de poder, um dia, voltar a estudar... a sua vida teria que mudar muito para poder fazê-lo!

Certa tarde, no bosque, depois de almoçar, o filho do lenhador caminhou até o rio para descansar um pouco. Ali havia árvores muito altas e frondosas que proporcionavam uma grande sombra. O moço costumava deitar-se sob uma delas para descansar.

Enquanto cochilava, o filho do lenhador via flutuar no ar a silhueta do seu querido colégio, e seus professores e seus companheiros...

Como poder voltar a estudar?

Concentrado em seus pensamentos o jovem sentiu, de repente uma voz muito longe que gritava, pedindo auxílio.

- Por favor, tirem-me daqui!

Assombrado, o filho do lenhador olhou para todos os lados e não viu ninguém perto do rio.

Devo ter imaginado essa voz – disse a si mesmo, levantando-se.

- É melhor voltar ao trabalho.

Ia dirigir-se à beira do rio para lavar o rosto quando viu uma garrafa azul; dentro dela se movia, desesperadamente uma rã verde.

- Não se desespere, minha amiga, eu tirarei você daí – disse o garoto, tirando a rolha da garrafa. Mas assim que saiu, a rã começou a crescer até transformar-se num gênio tão alto como o maior carvalho que crescia à beira do rio.

- Eu matarei você – gritou o gênio, muito zangado. – Há mil anos que estou dentro desta garrafa imundo, estreita e escura...

O jovem, em vez de assustar-se, disse calmamente ao gênio:

- Não faça isso, seu gigante. Eu não o prendi dentro desta garrafa... e nem tenho certeza se era mesmo o senhor, tão grande, que estava dentro desta garrafa tão pequena.

- Você não acredita? – gritou o gênio.

- Meu poder é tão grande que sou capaz de fazê-lo.

E dizendo isso o gênio voltou a transformar-se em uma pequena rã, que se deslizou sem problemas para dentro da garrafa.

Sem duvidar, o garoto fechou a garrafa com a rolha e, deixando-a sobre o pasto, afastou-se cantando.

- Socorro, socorro! Tire-me daqui e eu lhe darei o que você quiser...prometo que não lhe farei mal algum – gritou o gênio, desesperado.

O jovem o escutou e como era um excelente rapaz teve pena do gênio, tirando novamente a rolha da garrafa. A rã saiu imediatamente de dentro dela e, transformando-se no gênio, disse ao jovem:

- Vejo que você é uma boa pessoa. O que você deseja? Diga-me se você quer ser rico, se prefere ser famoso ou se deseja ter muitos poderes; eu farei a sua vontade!

- Não desejo nada disso, somente ser feliz, ajudando os meus semelhantes – respondeu o filho do lenhador.

O gênio, assombrado, abriu muito os seus grandes olhos e se sentou sob a sombra de um carvalho:

- Isto é realmente extraordinário! Além de você ter um bom coração, é um jovem sábio e inteligente. Darei para você uma coisa que o fará muito feliz – disse o gênio; e passando para o garoto uma pedra branca muito estranha, acrescentou: - Cada vez que você tocar com esta pedra qualquer coisa de metal, este perderá suas propriedades, transformando-se imediatamente em ouro! Se o que você tocar não for de metal, mas for uma ferida ou um machucado,a pedra fará com que se produza um remédio adequado no mesmo instante.

Assim que entregou a pedra para o jovem e enquanto pronunciava suas últimas palavras, o gênio desapareceu.

O rapaz estava assombrado; como seria possível que uma pedra comum pudesse ter propriedades tão maravilhosas? E decidiu experimenta-la tocando com ela o velho machado de aço que ele tinha emprestado do seu vizinho e, espantado, viu que a ferramenta se transformava em um reluzente machado de ouro. – Com este machado será muito mais fácil cortar lenha – pensou o garoto e, imediatamente, começou a cortar os galhos de um pinheiro bem grosso. O machado de ouro realizou a tarefa rapidamente, mas a lâmina ficou um pouco estragada.

O jovem regressou ao lugar onde seu pai estava e mostrando-lhe a assombrosa ferramenta, contou-lhe como a conseguira.

- Agora está estragada...como poderei devolvê-la assim? – perguntou.

Mas o lenhador convenceu-o que o melhor seria vender o machado de ouro ao joalheiro da cidade e comprar um machado novo para devolver ao seu vizinho. O garoto achou que seria justo e, no dia seguinte, dirigiu-se à cidade com o seu pai levando o machado de ouro.

- Esta ferramenta tem um grande valor... é uma jóia – disse o joalheiro, entregando-lhes duas bolsas cheias de moedas de ouro. Pai e filho ficaram muito contentes. Antes de regressar ao povoado, compraram um machado de aço de boa qualidade para o seu vizinho e vários machados para que eles pudessem usá-los alternadamente no seu trabalho no bosque.

Como lhes sobrou muito dinheiro, o pai poderia realizar o seu sonho: seu filho voltaria a estudar.

O jovem estava contentíssimo.

Arrumou as malas e, no dia seguinte, montou sobre uma mula e dirigiu-se ao colégio. Lá encontrou seus companheiros e professores que o receberam carinhosamente e voltou a dedicar-se com muito afinco aos seus estudos.

O tempo passou rapidamente; o pai prosperava realizando o seu trabalho com a ajuda dos machados e o filho estudava medicina.

Depois de alguns anos o pai, que já estava muito velhinho, pôde deixar de trabalhar porque o seu filho tinha-se transformado em um excelente médico, que cuidava dele e dos seus pacientes.

E o que aconteceu com a pedra mágica?

Não pensem que o jovem continuou tocando com ela outros objetos de metal para transformá-los em ouro e tornar-se mais rico...

Ele não fez isso!

Nunca mais voltou a usar a pedra para ter mais dinheiro; usava somente para curar feridas e machucados dos seus pacientes, que ficavam muito agradecidos. Como as feridas e as dores passavam imediatamente, a fama do jovem doutor se estendeu por todo o Oriente. Pessoas de todas as partes do mundo vinham consultá-lo para que ele as curasse.

O gênio da garrafa não se enganou: entregou um dos seus melhores dons ao generoso filho do lenhador, que usou a magia da pedra para o bem da humanidade.

 

Pergunte a si mesmo:

1- Quem é o gênio?

2- Quem é o menino?

3- O que é a pedra?