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Filosofia na Empresa |
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Algumas empresas estão se dando conta que para melhorar sua capacidade competitiva na era do conhecimento, precisam ampliar a autonomia pensante dos seus colaboradores. Um dos problemas é que nossas escolas sempre se dedicaram a ensinar apenas ciências aos nossos estudantes. Aprendemos a escrita, os números, a geografia, a biologia, a história, o direito, o comércio, a contabilidade, a propaganda, etc. Enquanto isso, durante décadas, os outros dois eixos do conhecimento, ou seja, a filosofia e a ética foram relegados ao esquecimento. Só recentemente o ensino da filosofia começou a voltar aos currículos escolares. O ensino de um código moral e da ética, ficou por conta das religiões, as quais, a julgar pelos resultados, não tem tido muito êxito. Na sua origem o termo filosofia era entendido como a busca da sabedoria, ou seja, a busca do conhecimento eticamente aplicável. Hoje em dia, a aplicação da filosofia pode ser observada na atitude filosófica de quem faz reflexão crítica de maneira sistemática. Quando a pessoa se põe a observar e a questionar o existente, podemos dizer que ela está buscando compreender racionalmente por que as coisas são como são e como podem ser melhoradas. Infelizmente, poucos já vêm treinados nesta habilidade, e os que vêm, podem ser sistematicamente podados por gerentes que ainda não reconhecem o poder de questionamento e o valor da atitude eslética 1 de compor uma nova verdade a partir de dois extremos. Este tipo de capacidade pensante é o que as empresas precisam ver funcionando em suas equipes para enfrentar a crescente complexidade de competir em um mundo globalizado, voltado para a tarefa de servir necessidades e expectativas cada vez mais exigentes. Aprender a fazer reflexão crítica sistemática e a questionar o que fazemos e como o fazemos é um dos requisitos para a contínua adaptabilidade que guiará as organizações pelo inevitável caminho da seleção natural no meio empresarial. A filosofia ensina a pensar, não o que pensar, independentemente da situação que a pessoa ou a equipe tenha que enfrentar. Se, ao construir sua habilidade e autonomia pensante, a equipe for também sensibilizada para pensar, falar e agir com ética, bastará que isto se torne perceptível para os clientes e uma forte relação de fidelidade entre cliente e fornecedor irá se consolidando até que a empresa se torne a preferência da maioria. Quando abordamos Filosofia, Ciência e Ética em nossas palestras e cruzamos este conhecimento com os conceitos de Identidade, Missão e Estratégia Pessoal e Empresarial; percebemos que muitas pessoas mudam sua maneira de ver a si mesmas, os colegas, os clientes, os fornecedores, os empregadores e passam a refletir sobre o encadeamento causal entre o que fazem e o que deveriam fazer para melhorar a percepção que os clientes tem sobre os produtos e serviços da empresa. É muito gratificante, ver surgir em cada participante, o potencial filosófico que sempre esteve ali, mas que não havia sido despertado. Esta observação sustenta a idéia de que uma mente que se abre, nunca mais volta ao tamanho anterior. As empresas que se dedicarem a promover o potencial de sinergia entre Filosofia, Ciência e Ética, estarão explorando com mais profundidade uma combinação de conhecimentos que permitiu os grandes saltos evolutivos da humanidade. 1 – Eslética : Busca aberta. Aproveitamento integral do conhecimento geral. Composição construtivista de uma nova verdade que concilie verdades aparentemente opostas. Paulo H. Wedderhoff |