A causa do desequilíbrio é o baixo valor dado aos bens morais

 


Hoje, a nossa sociedade é baseada na produção e posse de bens materiais. A riqueza de uma pessoa está na quantidade de dinheiro ou bens que ela possui e não nos valores morais. Se uma pessoa tem um grande patrimônio cultural ou moral, ela tem um papel acessório na sociedade capitalista. O principal membro é aquele que tem dinheiro, acionista de empresas, é o homem rico materialmente. Em função do valor que se dá aos bens materiais, a vida é colocada em segundo plano. Toda a forma de vida que não puder ser rapidamente transformada em riqueza material, não tem valor. Por isso, existe a destruição da natureza de forma tão intensa e uma grande quantidade de pessoas sem as mínimas condições de sobrevivência. Nas cidades, a vida tem pouco valor. A quantidade de crimes é muito grande nos centros urbanos. A mentalidade reinante é da insegurança e do medo, o resultado é grades nas residências e blindagem nos carros.

Um ponto interessante que a transformação proporciona pelo conhecimento moral, é a relação entre a evolução moral e qualidade de vida. A mentalidade atual da Terra liga o conhecimento moral com simplicidade, com uma vida de poucos bens materiais. Por outro lado, essa mentalidade associa o conhecimento científico a uma grande produção de bens, em uma riqueza material. Essa visão é produto de uma mentalidade dialética, o confronto dos opostos. O que resulta no entendimento de que o crescimento moral se opõe à produção material. Na realidade, ocorre o contrário. Sem desenvolvimento moral não existe crescimento material sustentável. Pois o crescimento econômico, com uma grande produção de bens, sem uma distribuição justa, leva a um grande aumento das tensões sociais, com o aumento das crises, da periculosidade social e do medo, principalmente nas grandes cidades. Toda essa tensão leva à destruição da sociedade. Em conseqüência, esses bens materiais também são destruídos.

Para se conquistar um crescimento material e social sustentável, é fundamental que o crescimento científico se faça pari passu com o crescimento moral. Para facilitar o crescimento moral é necessário que um maior número de pessoas o pratiquem. Para praticá-lo, é necessário que mais pessoas o conheçam e o compreendam. Para facilitar o seu ensino, se faz necessário o conhecimento da sintaxe dos processos morais.

(extraído do livro do César Graça, SINTAXE DOS PROCESSOS MORAIS Um estudo sobre a estrutura do código moral na Codificação da Doutrina Espírita. SBEE, 2007. pp. 118-119)