Qual a raiz das deficiências?
Apesar da perfeição que se observa na Creação*, quase todos já nos deparamos com pessoas que sofrem sob os efeitos de algum tipo de deficiência.
As deficiências mais visíveis são de ordem física e mental e ninguém pode afirmar que já não tenha passado por esta experiência em alguma encarnação anterior assim como não pode se considerar livre de uma experiência similar em um momento futuro.
Como não é possível evitar os efeitos sem eliminar as causas, este é um tema que deve interessar a todos nós, candidatos a futuras reencarnações.

As causas das deficiências físicas e mentais, antes atribuídas a alguma espécie de castigo de Deus, começaram a ser desvendadas pela Ciência e passaram a ser entendidas como evitáveis.

Um dos exemplos mais simples é o da poliomielite, mais conhecida como paralisia infantil. Esta doença atingiu pessoas em todo mundo durante séculos. Milhões de seres sofreram seus efeitos e muitos ainda estão sujeitos às limitações impostas por esta doença evitável. São também inúmeras as pessoas que superam estas limitações e se tornam exemplos dignificantes para todos nós.
Em 1955, após 8 anos de pesquisas, o Dr. Jonas Salk brindou o planeta com uma vacina e todos que a ela tiveram acesso se tornaram imunes ao vírus e devedores de gratidão a este espírito excepcional.
O Dr. Albert Sabin deu continuidade a este esforço com o desenvolvimento da versão oral da vacina, hoje conhecida como a gotinha que salva.

É interessante notar que o Dr. Salk recusou-se a patentear a vacina que poderia torná-lo milionário, como forma de assegurar que mais pessoas em todo o mundo tivessem acesso gratuito ao produto do seu trabalho.

Lamentavelmente, muitas pessoas ainda sofrem deste mal e tantas outras ainda sofrerão nos próximos anos devido à falta de imunização em alguns países. É de se perguntar: que deficiência é essa que impede a eliminação de uma doença cuja solução está disponível há mais de meio século?

Entre as várias deficiências que ainda aguardam solução, há uma que pode ser aquela que serve de causa a várias outras deficiências.

Falamos da deficiência moral.

Trata-se de uma deficiência que atinge a todos de maneira direta ou indireta. Apesar de ser um problema tão antigo quanto a vida humana na Terra, a deficiência moral é fruto de comportamento que por sua vez é sustentado por valores equivocados que colocam o ter acima do ser. Por ser fruto do comportamento humano a deficiência moral está sujeita ao livre arbítrio e por esta razão é um mal evitável.

Naturalmente, não estamos nos referindo a moral no sentido sexual, a qual pode até estar entre as deficiências. Estamos nos referindo à deficiência de caráter que ainda nos leva a mentir, corromper, aceitar ser corrompido, trair, negar ajuda, odiar, caluniar, segregar, discriminar, prejudicar, aceitar propina, dar propina e a ignorar o outro.

Com freqüência esquecemos que somos “o outro” dos outros e que nosso comportamento é exemplo vivo e lição para quem nos observa. Esquecemos que se nosso exemplo for aprendido e seguido, acabaremos colhendo os resultados do nosso próprio plantio; quer nosso exemplo seja bom ou mau.

O problema é que da mesma maneira que várias pessoas não percebem que sofrem de hipertensão até ser tarde demais, somos também vítimas desta mesma inconsciência sobre nossas deficiências morais. Quando nos damos conta, o mal está feito, a dor foi gerada. Uma vez gerada a dor, vem a decepção, o auto-questionamento e a consciência do que fizemos. A consciência do erro nos leva ao arrependimento e a busca da reparação para retomar o equilíbrio perdido.
Quantas vezes já não pedimos uma nova oportunidade para trilhar novamente o caminho e fazer certo desta vez?

Pois bem, aqui estamos novamente encarnados. Desta vez mais conscientes do que nunca, visto que a ampliação da consciência é um processo cumulativo.
Estamos conscientes que o tempo que temos, representa oportunidade; os problemas representam desafios ao nosso crescimento moral e intelectual, e os dilemas representam as avaliações às quais devemos nos submeter para medir nossa própria evolução.

Assim sendo, que possamos todos nos conscientizar de nossas próprias deficiências morais e do impacto que elas têm naqueles que sofrem suas conseqüências a título de efeito e de exemplo. Que passemos a empregar com mais vigor nosso potencial de mudança e de geração do bem.
Que possamos todos buscar nas palavras do sermão da montanha o norte moral que há 2000 anos está disponível para nos ajudar a escolher o caminho correto na hora da indecisão sobre o que é moral e o que não é.
Que possamos definitivamente seguir o ensinamento do Mestre e não fazer ao outro o que não gostaríamos que fizessem a nós.
Que não esqueçamos que a mudança ainda que lenta, só pode começar em cada um de nós, pois que mudar o outro é fácil na teoria e difícil na prática. Só assim estaremos efetivamente vencendo a luta contra a deficiência moral que está na raiz de todas as demais deficiências. O benefício será de todos nós que aqui voltaremos um dia para encontrar nada mais e nada menos do que os frutos do que aqui plantamos.

“Aje em tudo como se alguém te observasse”
Epícuro – Filósofo Grego - 270 a.C.

* Este termo substitui o termo criador para evitar confusão com criadores humanos.