O que é belo?
O julgamento do que é belo é individual. Mas mesmo assim algumas coisas são universalmente belas... Podemos usar como exemplo diversos aspectos da natureza, do ecossistema do nosso planeta: florestas, montanhas, lagos, animais, cenários. Para irmos um pouco mais longe, o equilíbrio de todas essas coisas, interligadas através de um funcionamento cíclico que às vezes nem percebemos, mas que está lá. E vale a pena lembrar que nós mesmos estamos inseridos neste funcionamento, e que somos grandes influenciadores do seu equilíbrio.

Podemos também estender o conceito de natureza para além do ecossistema do planeta, indo para os sistemas planetários, galáxias, e assim por diante. Podemos, aliás, estender o conceito de natureza para aspectos não materiais; como exemplo podemos citar a felicidade, o amor, a lembrança, a consciência, o aprendizado. Assim podemos dizer que a “Natureza Universal” é naturalmente, universalmente, bela.

Mas somente as coisas que nos agradam fazem parte da natureza universal? Certamente não. Antes de continuarmos, porém, vale lembrar que as coisas nos agradam ou não segundo o nosso referencial pessoal, o que não reflete o entendimento total do universo, suas leis, sua origem. Buscando o entendimento de Deus por parte da Doutrina dos Espíritos, temos que Ele é a “causa primeira de todas as coisas”, e que é infinitamente justo e bom. Também encontramos que Ele não concede dons ou aplica castigos. Portanto, podemos concluir que tudo o que ocorre é natural, é justo, é uma conseqüência de causas. Tudo o que acontece é um desdobramento absolutamente justo vinculado a inúmeras causas. Sugere-se aqui uma reflexão em torno da Complexidade.

E para nós, espíritos encarnados, o que é belo? Por estarmos encarnados na Terra, todo o ambiente natural e social do planeta faz parte de nossas vidas. Se perguntarmos o que é belo em uma criança teremos várias respostas. Mas se perguntarmos o que é belo em um vale de extrema pobreza (material), dentre os muitos que existem em nosso país, qual será a resposta? A primeira leitura do local mostra uma situação difícil, de desafio às pessoas que lá vivem. Certamente encontraremos muita coisa bela, principalmente no âmbito comportamental: solidariedade, coragem, criatividade. Tudo isso por parte daqueles que enfrentam o desafio da busca diária da sobrevivência do corpo. Além disso, em cada corpo das pessoas que vivem nestas condições estão disponíveis inúmeras belezas escondidas atrás de uma expressão: o funcionamento do corpo humano. Mas mesmo que se possa perceber estes tipos de beleza, certamente não se trata de uma situação diante da qual seja possível aquietar-se.

Seja olhando para uma linda paisagem, ou observando a situação precária de uma comunidade materialmente pobre, muitas vezes é possível presenciar, ou até vivenciar pessoalmente, uma das coisas mais belas do universo, que é o desdobramento da leitura em ação construtiva, através das premissas de amor à vida, de amor ao próximo.

Em nosso planeta, ao mesmo tempo em que se pode apreciar a expressão artística de músicos, pintores, entre outras situações, pode-se observar o término da oportunidade reencarnatória de um irmão por falta de alimento!

A beleza é uma característica do universo, e isso inclui tanto a vida no polissistema material quanto no espiritual. Portanto o reencarne e o desencarne são partes integrantes do processo existencial, e desta forma, naturais. Assim, por mais surpreendente que possa parecer, existe beleza em tudo, mesmo que seja uma beleza “potencial”, a ser desvendada, apresentada ao mundo através de uma atitude, talvez de solidariedade, talvez de compreensão, talvez de paciência, mas indubitavelmente de amor.

Somos “o próximo” de alguém. Talvez neste encarne não precisemos de roupa e alimento, mas de atenção, de afeto. Por outro lado irmãos muito fortes e corajosos carecem de algum apoio material com premissas de construção e desenvolvimento da pessoa.

Mas seja lá qual for a carência, a necessidade, manifesta-se através delas a beleza da oportunidade de, como ser integrante de um sistema universal funcional, “amar a Deus acima de todas as coisas”, o que inclui naturalmente amar as pessoas, independentemente de local, situação social, etc.

Usufruir a beleza da vida, da natureza, do planeta pode ir então muito além de observar combinações agradáveis. Certamente alcança a instância da ação, do desprendimento, do espírito crítico, da doação, da benevolência, da compreensão, do respeito, do estudo.